Atividades

Conferência Internacional do Trabalho 2022

Edileuza Guimarães, membro do HNI IWC e presidente da ATEMDO aborda a sessão plenária da ILC em 8 de junho de 2022.

Obrigado Presidente por me dar a oportunidade de falar neste plenário.

Eu sou Edileuza Guimarães, uma trabalhadora domiciliar do Brasil. Hoje estou representando a HomeNet, uma rede de organizações de trabalhadores domiciliares de 20 países, representando coletivamente mais de 600,000 trabalhadores domiciliares. Sou Presidente da ATEMDO, Associação dos Trabalhadores Domiciliares da Economia Solidária, uma pequena associação no Brasil, afiliada da HomeNet International.

Um estudo da OIT de 2019 afirmou que havia mais de 260 milhões de trabalhadores domiciliares em todo o mundo e muitos deles são mulheres. Embora a pandemia tenha afetado a todos, ela teve um impacto muito mais profundo em nós como trabalhadores domiciliares. Não havia trabalho, nem renda, dívidas crescentes, fome, proteção social e vacinas inacessíveis, levando à morte de muitos de nossos companheiros e familiares.

Nossa organização irmã, WIEGO, realizou um estudo de impacto dos efeitos do Covid-19 nos trabalhadores da economia informal, que descobriu que os trabalhadores domiciliares foram o grupo de trabalhadores mais afetado pela pandemia e são o setor mais lento para se recuperar. Durante estes tempos difíceis, apoiamo-nos nas nossas organizações e construímos solidariedade entre nós. Um dos modelos de organização que funcionou para nós foi o da Economia Social e Solidária. Nossas organizações, empresas de propriedade de produtores e organizações de benefício mútuo foram as únicas que se adaptaram às mudanças nas cadeias de suprimentos e mudaram seus modelos de produção para fornecer trabalho e renda aos trabalhadores domiciliares.

Se levarmos a sério uma recuperação justa e centrada no ser humano, teremos que nos concentrar na grande economia informal e suas organizações de ESS. Embora muitos modelos econômicos tenham falhado durante esta pandemia, a SSE provou ser um modelo amigável ao trabalhador, que é resiliente. É uma forma de fazermos a transição da economia informal para a formal, muito em linha com a Recomendação 204 da OIT. É uma forma de contribuirmos para o alcance das metas dos ODS e especialmente da Meta 8 de Trabalho Decente e Crescimento Econômico e Objetivo-5 de Igualdade de Gênero.

Como trabalhadores domiciliares organizados e promotores da ESS, instamos a OIT a continuar seu trabalho em ESS e criar espaços de diálogo com sindicatos e redes de trabalhadores da economia informal em nível nacional, regional e internacional. Aguardamos com expectativa a cooperação contínua na ESS como meio de recuperação centrada no ser humano.

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